É até engraçado relembrar tudo isso...
A Luíza deu um trabalhinho inesperado, queria nascer antes da hora... lembro que quando chegamos na 35ª semana, a Drª Arlete disse: "Ufa, 35 semanas, podemos respirar mais aliviadas!" Ainda seria um parto pre-maturo, mas sem tantos riscos... sem precisar ir para outra cidade e etc. A partir disso, parei de tomar a inibina, já tinha perdido o tampão, e estava com 1,5 cm de dilatação.
Passamos pela 36ª semana já com 3,5 de dilatação, algumas contrações, e nada... 37ª semana com muita conturbação, muitos problemas, estresse, e nada. Subia e descia escadas, caminhava, carregava o Joaquim no colo, retornei a toda minha rotina, e nada da Luíza nascer, passou lua cheia, passou páscoa...
Durante a 37ª semana, ia para o hospital dia sim dia não para ir monitorando as contrações, verificar batimentos cardíacos e analisar o líquido amniótico. Minha irmã veio passar a páscoa com a gente, afinal, a Luíza podia nascer... a bisa paterna teve alguns probleminhas de saúde, resultando numa correria louca.
Daí chegou a Segunda-feira 01/04/13 - e eu repetia a todo momento: "Luíza, nada de nascer hoje hein! Esperou até hoje, espere até amanhã" - tadinha da Luíza, pedi tantas coisas para ela nessa gravidez: "Não nascer antes da hora, esperar nosso pagamento, esperar fazermos as compras do mês, esperar laje, escada, geladeira, fogão, casa, e esperar para nascer no dia 03 de Abril.
Aqui em casa, o Daniel e o Joaquim fazem aniversário dia 13, Outubro e Dezembro respectivamente. Eu sou de 03 de Janeiro, então, queria uma do dia 03 para me fazer companhia (pode parecer loucura, mas é coisa nossa)...
Terça-feira 02/03/13 - fui para São Sebastião resolver algumas coisinhas, andei, andei, andei demais, carreguei um certo peso... voltei para casa cansada, mas não parei... fui na obra, fui garimpar um armário para nossa cozinha... peguei o filho na escola. Quando minha mãe chegou em casa, votei a repetir que seria ótimo se a Luíza nascesse no dia 03, afinal... Mal eu sabia que essa era minha última noite de sono com a barriga, com o Joaquim só meu e eu só dele... O fato é que eu não consegui dormir, estava ansiosa, Joaquim também estava, ficou me procurando a noite toda na cama para fazer carinho...
Quarta-feira 03/04/13 - acordei cedo, preparei o café da manhã do filhote e do marido, e de repente, comecei a trocar a roupa íntima a todo momento... o Dani foi trabalhar, mas ficou alertado de que aquilo poderia ser a bolsa se rompendo... fiquei tão frustada com tanta troca de calcinha que resolvi colocar absorvente! Mamis foi trabalhar e eu resolvi fazer as unhas, terminar de organizar a mala da maternidade, e voilà, bolsa rompida!
Pouts, bateu uma felicidade... sabia que logo logo teria a Luíza nos meus braços, mamando, chorando... precisando de carinho, precisando de mim! Mandei mensagem simultânea para o Dani e para minha mãe, e depois liguei para contar... Quando o Daniel chegou em casa, já estava tudo organizado, e eu precisava comer, mas eu queria comer porcaria, tomar refrigerante, afinal, ficaria um bom tempo sem comer essas coisas... E fomos, com a bolsa rompida procurar uma lanchonete... liguei para a médica, e perguntei para ela qual o meu tempo limite para ir ao hospital...
Fui para casa, tomei banho e fomos para a maternidade por volta das 13:30. Chegando lá, estava com 5 cm para 6 cm de dilatação, a bolsa havia rompido, mas tinha um ponto que estava acumulando o líquido. A enfermeira deu uma furada lá, e o líquido desceu de vez, e as contrações começaram a aparecer... Colocaram o soro com ocitocina e as contrações foram ficando insuportáveis, andei, tirei fotos, como acerola (para não perder o costume) e comecei a contar as contrações... a cada 1 minuto duravam em média de 25 a 30 segundos. A enfermeira veio examinar, e incrivelmente, já estava com 7 cm para 8 cm
de dilatação... não me deixaram entrar no banho quente, liguei para minha mãe, que já estava na recepção do hospital, e quando vi, havia uma movimentação acelerada para preparar o parto, a enfermeira pedia para chamar o pediatra, já com uma voz mais alterada... e eu desacreditada que a Luíza estava para nascer...
"Vamos lá mamãe, faz força de cocô (odeio essa expressão, parece que vou cagar o meu filho)" - e eu pensei, MAS JÁ? - respira Bárbara, pensa nas aulas de yoga, respira!! Que dor horrível, mas a cada dor que sentia, eu respirava aliviada, feliz... poxa, sabia que aquele era o limite!
"Já dá para ver os cabelos" - "Força, força, força" - "Força comprida" - pareciam verdadeiros gritos de guerra... e eu me preocupava em não evacuar na hora do nascimento, em não gritar, em perguntar se toda aquela tremedeira nas minhas pernas eram normais.
E aí, mais duas forças compridas, senti a Luíza coroando, me fazendo queimar... e de repente aquele chorinho lindo, ela soltou mecônio nas minhas pernas... e veio para o meu colo, pequena, com aquele primeiro cheirinho de parto, de olhos abertos, se acalmando no calor dos meus braços, a medida que ia conversando com ela! Que momento mágico!
Foi um parto rápido, quase sem dor (comparado ao do Joaquim), sem suspenses, altos e baixos... foi simplesmente um parto, sem extremismos, sem cobranças, um parto onde consegui me entregar, onde consegui curtir cada momento com o meu marido do meu lado #again
E ela é tão linda, nasceu com 45 cm pesando 3.070 kg, menor que o Joaquim, porém mais gordinha.
E aí, estão as fotos desso momento lindo: